Projeto Curu- Paraipaba

Por: Jayme Zimerman (Zamir) 12/08/2020

O projeto Curu- Paraipaba está localizado no Ceará à 90 km. da cidade Fortaleza sob a responsabilidade e execução da DNOCS- Departamento Nacional de obras contra a seca – nordeste brasileiro.

O projeto previa em primeira etapa uma colonização agropecuária em forma de “moshavim” em uma área irrigada de 2120 hectares (ha.) beneficiando 532 famílias de colonos. A segunda etapa foi programada para mais 4320 hectares irrigados perfazendo um total de cerca de 1500 famílias de agropecuaristas..

O Mashab ( Ministério da Agricultura e do Exterior) objetiva a assistencia técnica, ensino e apoio à diversos países do mundo. No Brasil, a assistencia nos anos 1973 constituia-se ( “Missão de Israel”) na presença de especialistas agrícolas nos estados da Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí sendo que a central situava-se em Fortaleza com a participação de diretor, economista , eng.hidráulico e a vinda de diversos especialistas de Israel de acordo as necessidades dos distintos projetos.

       Em 1973 eu fui escolhido para centralizar o projeto Paraipaba na qual junto com a família estávamos sitiados na cidade de Fortaleza-Ceará.

O projeto Paraipaba havía sido projetado nos finais da década dos anos 60 pela companhia israeliense Tahal e o nosso desafio foi em executá-lo em viabilidade agrícola, economica e comunitária.

Desde o início tive a minha disposição uma ampla área irrigada para experimentação de cultivos que poderiam se adaptar às condições físicas do solo e meterológicos do projeto na qual se situa quase na linha do Equador ou seja, cerca de 12 hrs. diárias de luz  e temperatura média anual entre 32 à 28 graus centígrados.

       Após haver estudado e analizado o projeto e conhecer a realidade das condições viáveis da execução do sistema de irrigação integrada à agrovilas,  cheguei a conclusão que deveriam replanejar o projeto devido que originalmente o mesmo estava programado para uma irrigação diária de 24 hrs. ( ventos fortes entre as 9hrs às 18hs.não possibilitando uma irrigação efetiva com aspersores) e baseado em cultivos não economicamente adaptáveis às condições agrícolas locais.

       Em consequencia das conclusões e com o apoio  da equipe de israelienses do Mashab, em comum concordancia com os técnicos da DNOCS, resolveram a reformulação da estrutura hidráulica do perímetro irrigado possibilitando uma irrigação em aspersão de 16hrs. diárias.

       Na Fazenda experimental, sob minha orientação, testamos cerca de 40 cultivos distintos objetivando a viabilidade economica da sustentação familiar dos irrigantes.

       Os primeiros resultados agrícolas esperimentadas na fazenda experimental foram muito exitosas aproveitando a agrotécnica em cultivos em solo arenoso ( 90% ) e utilizando corretamente as relações entre a planta-água-solo e condições climáticas.

       Como exemplo, entre outras, com sementes de melancia, melão e tomate industrial vindas desde Israel possibilitou nas condições meterológicas cultivo de duas à tres safras anuais com boa produtividade.

       Em meados do ano 1974, o presidente nacional e diretores da DNOCS  visitaram  a fazenda experimental e na oportunidade após terem se impressionado positivamente sobre a viabilidade agrícola, questionaram se havería área irrigada para iniciar o assentamento dos primeiros colonos. Manifestei minha concordancia e informando que na  fazenda experimental havia suficiente área irrigada com possibilidade de efetuar a colonização. No mesmo momento foi decidido o assentamento imediata de 13 famílias na qual já haviam sido selecionadas pela assistencia social do projeto.

       Tive o prazer de introduzir e ensinar os primeiros colonos as técnicas de irrigação por aspersores  assim como na orientação agrotécnica em cultivos mais adaptados  ao perímetro irrigado.

       Recordo-me que os primeiros colonos eram acanhados e demonstravam insegurança, não obstante, ao visitar o projeto após alguns anos, encontrei os mesmos colonos mais confiantes, cabeça erguida e alguns com carros ao lado da sua unidade habitacional ( 0.72 ha.) e área disponível de 3 ha. próprias à irrigação.

       Em 1975, ao finalizar minha participação no projeto, publiquei uma brochura de 181 páginas abranjando considerações agrotécnicas sobre as condições metereológicas e do solo e resultados e orientações aos diversos cultivos experimentados, detalhando sobre quantidades de adubo, preparo do solo, plantio, irrigação e tratamento fitosanitário.

       Atualmente o projeto é uma realidade constituindo-se em uma das maiores áreas de irrigação do Brasil, sendo que ao passar dos anos o cultivo predominante é o da  monocultura coco-anão  na qual ocupa uma área de cerca de 2000 ha. Irrigados e um centro agroindustrial baseado no suco de coco.  Na década dos anos 80-90 a monocultura predominante foi a de canaviais servindo a fazenda Agrovale situada na região.

       Para maiores informações sobre o projeto sugiro lerem ” Perímetro irrigado curu-paraipaba: Colonos, normatizações tenssionalidades- Dialnet”[1] e “Perímetro irrigado curu-paraipaba-Dnocs”[2]na qual poderão serem encontrados no google.

       Considero que a importante contribuição da “Missão de Israel” ao exitoso projeto Curu-Paraipaba  foi no replanejamento da área de irrigação, demonstrar que é viável uma boa agricultura irrigada em solo arenoso e no auxílio e apoio na viabilidade agroeconomica, promoção e execução do projeto.

Notas

[1]  Vasconcelos, T.S.L., Lima, L.C. (2015). Perímetro irrigado curu-paraipaba: Colonos, normatizações e tensionalidades, Revista da Casa da Geografia de Sobral, ISSN-e 1516-7712, Vol. 17, Nº. 3, 2015 https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5301281.pdf

[2]Vasconscelos, H.E.M., Mota, D.M., Araujo, J.B.C. (2010). Sustentabilidade de sistemas de produção irrigados para agricultura familiar: um desafio para os colonos do Projeto Curu Paraipaba. Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/871700/1/p657.pdf

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