Kibutz-Startup

Por: Nelson Burd 15/07/2020

Publicado originalmente em ConexaoIsrael.com em 20/04/2020

2020. Como o mundo nos enxerga hoje? No que somos referência? Há 70 anos, o que nos diferenciava dos outros países? 

Resolvi refletir sobre o assunto. Criar uma situação. Viajar na questão. Transitar pela realidade, com toques de fantasia. 

A “Terra dos Kibutzim” virou a “Terra das Startups”. Capitalismo substituiu o Socialismo no moderno Estado de Israel. Como a pessoa que cresce, amadurece, envelhece, deixa os ideias jovens de lado e passa a ver a vida, de forma mais adulta, responsável. Pensa nos filhos, mais do que na “Revolução”. 

E por que não unir as duas coisas? Fazer o novo Kibutz? O do futuro próximo, que nós já vivemos. 

Apresento a vocês o primeiro “Kibutz Startup”. Localizado na região Norte, fundado como Etz HaCochavim, há 80 anos, foi rebatizado de “The Stars’ Tree”. Nele, aproveitam toda a estrutura histórica do kibutz, remodelada aos padrões de startup´s, como há no mundo todo. 

Exemplo: O Cheder HaOchel (refeitório) foi dividido em setores: Sushi Bar, Comidas Típicas, Burguer Bar e Vegan Friendly. Ambientes agradáveis, descontraídos. Lugares onde a galera gosta de estar. 

O The Stars’ Tree ressuscitou o Beit HaYeladim (Casa das Crianças, onde todas elas moravam, sem a presença dos pais). Trouxe joguinhos eletrônicos, trocou os berços por pufs coloridos, sofás modernos, mini salas de cinema com poltronas confortáveis e máquinas de pipoca. Quando chega a idade de abandonar esta etapa, o pessoal se recusa. 

O Refet (estábulo) foi modernizado, tudo computadorizado, esterilizado. A Machleva (fábrica de laticínios) controla o andamento das vacas, acompanha os bezerros mamões desde o pré-natal. 

O berçário, pré-escola, escolinha. Tudo isso trabalhando com conceitos americanos, do Vale do Silício. Antes da alfabetização, ocorrida aos 5 anos, as crianças já se acostumam à tecnologia e são preparadas para conquistar o mundo, através de seus dispositivos móveis. 

Segundo analistas, o The Stars’ Tree, ainda que tenha modernidade, traz de volta a essência social do Kibutz, de seu movimento. As pessoas ficam pouco em casa, socializam mais, querem comer sempre no Cheder HaOchel (não mais somente refeitório, sim praça de alimentação), comprar no centrinho comercial construído, presenciar as atividades culturais diárias e produzir todo tipo de conteúdo online possível, visando conquistar o mundo de dentro para fora, mas segregando a entrada de fora para dentro.

Outro ponto positivo: Os novos focos de atividades motivaram os membros a saírem de seus empregos de fora e voltarem aos trabalhos do kibutz. Salas de CoWorking juntam os empreendedores, que trocam experiências e sugestões, sócios que são. 

Conclusão: Sendo Startup, o Kibutz voltou a ser Kibutz. Aceitando novas tendências, ressurgiu a semente original de socialização interna, se fechando ao mundo cruel e capitalista externo. 

A única coisa que The Stars’ Tree não resolveu ainda foi a questão de fofocas, picuinhas, ciuminhos que, mesmo que possam ter um fundo ideológico, derrubam um sistema inteiro e afastam os filhos que nascem lá. 

Se continuarem a se meter de bobeira e sem motivos nas vidas alheias, não há startup e tecnologia que resolva. 

Links: 

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/acervo/kibutz-laboratorio-socialista-435389.phtml

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2018/04/19/em-70-anos-israel-vive-da-utopia-socialista-do-kibutz-a-inovacao-capitalista.htm

http://www.morasha.com.br/historia-de-israel/degania-alef-mae-de-todos-os-kibutzim.html

 

 

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