DROR –Jovens e Velhos

Por: Vittorio Corinaldi 16/08/2020

      Quem determina os postulados ideológicos e organizacionais do movimento juvenil são os chaverim do movimento. Assim era quando nós formávamos as fileiras do Dror Habonim nas afastadas décadas de 50 e 60 do século passado. Assim tem que ser hoje, e assim é – conforme transparece também no ótimo boletim “Haboletter” – pelo qual de início cabe louvar a iniciativa e o nível jornalistico, em muitos aspectos superior à revista e às publicações de nosso tempo de jovens.

       E se a leitura do boletim deu margem a comentários e mesmo críticas de parte de veteranos israelenses, os editores e em geral a tnuá brasileira devem enxergar nisto um sinal de vitalidade muito positiva, bem diferente do conteúdo superficial da maioría dos meios de informação comunitária, que mais se assemelham a uma “crônica social” bajulativa do que a veículos de opinião e de idéias.

       No nosso tempo, fatores de extrema intensidade no panorama judaico mundial (a catástrofe da Shoá, o fracasso dos regimes politicos que levaram à 2a. Guerra mundial e o nascimento do Estado de Israel) marcaram toda a linha ideológica do movimento, endereçando sua energía de ação para o Kibutz – então o instrumento pioneiro da realização, inspirado no ensinamento e na liderança de grandes figuras do momento histórico.

       Bem diferente é a situação hoje: Israel é uma realidade assentada; o Kibutz perdeu sua posição de vanguarda e sua singularidade ideológica, desaparecendo na prática diante das profundas mudanças sociais  e econômicas do presente; há uma gritante necessidade de liderança que faça frente a estas, e conduza uma população hoje desorientada e manipulada por uma geração de politicos inescrupulosos e corruptos. Isto reflete um geral retrocesso mundial em direção a regimes autoritários, nacionalistas e racistas, populistas e aventureiros.

       É portanto natural que os jovens do movimento brasileiro voltem sua atenção para a premente realidade de seu ambiente próximo e para questões de atualidade social, nele particularmente sensíveis: desigualdade, violência, discriminação da mulher, das minorías, dos “diferentes”.

       Em contraposição, Israel hoje pouco tem a oferecer como plataforma para esses jovens: os mesmos problemas, os mesmos defeitos e outros decorrentes de fatores específicos locais, afetam hoje a sociedade israelense. Nenhum efetivo atrativo de sentido humano se apresenta como programa: nem o ufanado sucesso científico e tecnológico, nem o admirado serviço militar de fortes características de coesão para os jovens – são  substitutos suficientes para servir de polo de ação para um movimento possuidor de uma tradição própria bem definida.

       É esta tradição que nos faz crer que se deva incrementar o interêsse e o envolvimento da tnuá na problemática israelense, aspirando a um retorno do país a sua verdadeira vocação democrática – em cujo seio têm significado as posições independentes e aprofundadas que um movimento como o nosso é capaz de tomar: com a conciência de que é a realização sionista em sua expressão humanística e liberal que está na base de nossa crença. A criatividade própria do movimento juvenil saberá encontrar o autêntico caminho que uma vez era o Kibutz, e que terá que se abrir para uma realidade de justiça e dignidade de que Israel necessita.

 

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