O CORAL

Por: Shmuel Yerushalmi 06/02/2018

Estávamos no ano de 1954.

Israel tinha completado 6 anos.

O ishuv, na sua maior parte, se identificava com Israel, com o Sionismo (teórico, não o realizador), contribuia nas campanhas, participava nos eventos (Festa de Bikurim do Keren Kayemet, Shoshana Damari no Teatro Municipal), e outros.

Os Movimentos Juvenís floresciam – o Dror, Hashomer Hatzair, Bnei Akiva e até mesmo o Betar.

No nosso Movimento, a atividade era intensa – Garin entrava na Hachshará, Garin saia, já se preparando para a Aliá; o Snif Rio não ficava para trás.

Surgiu então a idéia de realizarmos, neste ensejo, um Evento Chalutziano. Foi escolhido o Teatro Municipal, veterano e prestigioso, que atraia massas.

Organizou-se um programa: saudações, discursos, apresentação de cenas chalutzianas, grupo de danças Israelenses e o Coral do Snif.

Marcou-se data, alugou-se o Teatro e foram vendidas entradas, com boa aceitação.

Os ensaios avançavam, e a data do Evento se aproximava.

Alguns poucos dias antes da data, os ensaios do Coral mostravam-se insatisfatórios, o Coral cantava sem desafinar, mas tambem sem vida e dinamismo. E o Coral era considerado uma das partes mais importantes do Evento. Temia-se o pior – o público ficaria insatisfeito e desapontado com este aspecto artístico falho, e reclamaria, com razão, ter pago ingresso sem resposta às expectativas.

Era só o que faltava.

Dois dias antes, resolveu-se tomar uma atitude de emergência: “Vamos chamar o Zinho para dirigir o Coral e salvar a situação”.

O Zinho (Isaac Karabchevski, futuramente o renomado Maestro), era chaver do Snif S.Paulo; ele tinha estudado Eletrotécnica na Escola Mackenzie (assim como o Mauricio Nhuch em Porto Alegre e eu no Rio). Mas uma vez, em uma das Machanot Nacionais, ele me disse que nas aulas, em vez de desenhar esquemas elétricos, ficava escrevendo notas musicais. Foi quando ele percebeu que sua tendência era a música. Desde então se dedicava a esta arte, e, entre outras, tinha boa capacidade de dirigir e reger Corais.

Mas, S.Paulo é longe, como é que ele virá ao Rio com rapidez?
Então, num ato de bravura, conseguiu-se uma ligação telefônica do Rio para S.Paulo; não era simples telefonar para S.Paulo, precisava-se encomendar a ligação, e ficava-se à espera, às vezes por algumas longas horas. No final, o Zinho foi encontrado, e logo arrumou vir ao Rio, levado na garupa da motocicleta do Jacó Eizenbaum, tambem chaver do Movimento, que se prontificou de boa vontade.

Chegando, foi direto ao Teatro Municipal, onde nos encontrávamos ensaiando. Despiu o casaco de couro, e nos posicionou na parte de trás da platéia vazia, nas últimas fileiras, sob o teto que era o chão da Galeria acima de nós (a acústica naquele ponto ajudaria no ensaio). Pediu que cantássemos uma das músicas, cantamos o – SI SI ADMAT HASHARON – ALEGRE-SE OH TERRA DO SHARON (o Sharon é uma próspera região na parte central de Israel).

Ele logo percebeu o que era necessário fazer – nós cantávamos no ritmo de tartaruga, e ele, na hora, adaptou um ritmo saltitante, dividindo vozes – masculina e feminina. Foi uma injeção de ânimo para todos, ensaiamos 3-4 vezes, e o Coral estava pronto. Assim foi com as outras canções.

Pronto, não faremos vergonha, o nome do Dror está salvo !!!

Shmuel Yerushalmi (Jerusa)

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