Nome
Anna
Sobrenome
Fuks
Apelidos e nomes anteriores
Blinder
Chaver do Movimento Juvenil
Ichud Habonim
Biografia

Baseado em uma entrevista  por Daniela Kresh

       Anna nasceu em Curitiba (Paraná) em 26 de abril de 1937, de uma família de judeus originários da Europa, o pai nasceu na Polônia e a mãe na Rússia.

        Seu pai, Isaac Blinder, era um sionista ferrenho que na Polônia se juntou ao "kibutz Klossover", cujos membros planejavam emigrar para a Terra de Israel, este era seu sonho, viver em Israel. Anna lembra, que após o falecimento do seu pai, ela encontrou num documento da Agência Judaica do Rio de Janeiro, escrito em ídiche, o nome dele junto a uma lista de nomes de judeus que solicitaram certificados para poder emigrar a Israel antes mesmo da proclamação de independência do Estado. 

       “O nome do meu pai estava lá. Mas os ingleses não permitiram. Naquela época, ainda havia domínio inglês aqui na Palestina.  Então meu pai não conseguiu o certificado, mas sempre alimentou esse sonho”. O desejo do pai de ter sua familia em Israel acabou se realizando décadas depois, quando Anna e sua irmã emigraram para Israel.

       “Ele tentou também se fixar em Israel e mudou-se para Tel Aviv e ai viveu aqui uma época, mas a minha mãe não se acostumou porque eles já estavam com idade avançada”, conta Anna.

       Não foi acaso que Anna e seus dois irmaos herdaram o sionismo em casa.  Influenciada pelo pai, muito jovem, a Profa. Anna se juntou ao movimento juvenil sionista Dror,  onde recebeu sua educacao sionista. Dos três irmãos, ela se define como a que foi menos ativista no Dror. Seu irmão mais novo era mais entusiasmado. Quando explodiu a Guerra dos Seis Dias, em 1967, ele avisou ao pai que iria a Israel: “Vou trabalhar num kibutz”. Ele embarcou no navio Theodor Herzl e passou seis meses no país como voluntário.

       Anna fez o primário na Escola Israelita e continuou seus estudos no Colégio Estadual do Paraná até entrar para a Universidade Federal do Paraná, na qual se formou como cirurgiã dentista.

       Ela casou em 1958 com o engenheiro Moisés Fuks. Ele era membro do movimento juvenil sionista Dror, e madrich da jovem Anna. Paralelamente ao seu trabalho profissional, Moisés foi ativista na coletividade israelita do Paraná chegando a ser presidente do Centro Israelita em Curitiba.

       Depois de casar e durante alguns anos, Anna foi voluntária no departamento de Odontopediatria daquela universidade. Quando ela conseguiu uma bolsa da CAPES, Anna viajou para estudar e se especializar durante um ano como residente do Children’s Hospital da Universidade de Birmingham, Alabama. Lá, na Universidade de Alabama, ela conheceu dois colegas de Israel. “Na realidade, um era colombiano e outro, sul-africano, mas viviam em Jerusalém e trabalhavam no Hadassah” (...). “Naquela época, eu nem pensava em vir para Israel, mas também não me animei para ficar nos EUA. É muito bom para passear, mas eu gostava do Brasil”.

       Após retornar à Curitiba Anna estabeleceu uma clínica odontopediatrica, tornando-se a mais respeitada dentista da cidade inclusive de filhos de famílias influentes. Paralelamente, Anna continuou a ensinar odontopediatria na Universidade do Paraná até 1971.

       Anna só pensou em radicar-se em Israel depois de participar de um programa de visitas a Israel organizado pela Sochnut com a finalidade de oferecer a jovens profissionais possibilidades de fazer aliá e encontrar trabalho em Israel. Ao participar do programa, em 1969, ela pediu para ir ao Departamento de Odontologia do Hadassah para rever os colegas com os quais havia estudado e trabalhado no Alabama.

       “Aí eles já me levaram para falar com o diretor, que me perguntou se eu tinha interesse de trabalhar na Faculdade. Naquela época, a Agência Judaica dava bolsas de um ano para profissionais tentarem viver e trabalhar em Israel”, conta Anna Fuks. “Então, eu vim. Meu marido também veio já contratado pela Prefeitura de Jerusalém como engenheiro”. Isto ocorreu em 1971. Os Fuks se estabeleceram em Jerusalem o que possibilitou a Anna se integrar no Departamento de Odontopediatria da Universidade Hebraica de Jerusalem, para o qual foi convidada pelos professores que com ela cursaram suas bolsas de ensino na Universidade de Birmingham.

       Mas a decisão de morar em Israel não foi tão rápida para ambos. A adaptação nesse primeiro ano de tentativa, no entanto, foi quase desastrosa. Primeiro, houve dificuldades com a língua. Anna havia estudado na escola ídiche de Curitiba, mas hebraico, só falava um pouco. Apesar de ser fluente em português, espanhol, francês e inglês, o hebraico foi mais complicado.

[caption id="attachment_11632" align="aligncenter" width="245"]A futura professora Anna Fuks com sua irmã mais nova, Clara (Crédito: Álbum de família) A futura professora Anna Fuks com sua irmã mais nova, Clara (Crédito: Álbum de família)[/caption]

       Outra dificuldade foi de caráter social: “A gente praticamente não conhecia ninguém. Chegava nos fins de semana, pegavamos o carro e iamos viajar pelo país. Eu disse: ‘aqui não fico de jeito nenhum. Vou voltar para o Brasil”.

       Mas, antes de voltar, ela encontrou uma colega de trabalho no Hadassah que disse uma frase que a fez pensar: "Que pena, este país não tem sorte mesmo. Vem gente com um montão de problemas, que precisa de ajuda e, quando vem um casal que esta bem e não precisa de ajuda, resolvem ir embora.” A frase levou a professora Anna Fuks e seu marido a repensar sua decisao, voltar a Curitba, encerrar suas atividades profissionais e retornar a Israel.

       Depois de um tempo no Brasil, ela acabou voltando de vez para Israel, em 1973. Já instalada em uma casa própria na Guiva Hatzorfatit, em Jerusalém, o casal fez amizade não só com os brasileiros como tambem com os vizinhos israelenses, que consideram familia ate os dias de hoje. Com o passar do tempo e o melhor domínio do hebraico, o círculo social foi aumentando.

       Alguns meses após a chegada definitiva, no entanto, os Fuks tiveram que encarar a Guerra de Yom Kipur. Mesmo assim, o casal decidiu ficar. Ela continuou no Hospital Hadassah e ele na Prefeitura de Jerusalém.

       “Foi difícil me adaptar à Faculdade”, explica a professora. “Eu achava que era uma grande doutora, porque tinha pós-graduação nos Estados Unidos, e em Curitiba eu era praticamente a única odontopediatra. Todas as crianças dos políticos e das famíias economicamente privilegiadas eram meus pacientes. Então, foi difícil para mim me adaptar na Faculdade de Odontologia de Jerusalem, também profissionalmente”.

       Nos anos que se seguiram Anna Fuks aprimorou seus conhecimentos profissionais. De  assistente passou a professora do departamento e com dedicacao e trabalho intenso recebeu o título de Professor Chaver que corresponde no Brasil a Professor Associado. Nesta oportunidade ela se tornou responsável pelo curso de pós graduação em odontopediatria e foi agraciada como professor titular, cargo que continuou exercendo até se aposentar. Posteriormente, ficou sendo Prof. Emérita da Universidade Hebraica de Jerusalem.

       “Quando me aposentei oficialmente, eu tive que falar algumas palavras. Emocionada, lhes contei que “uma das pessoas que poderiam ficar mais felizes com a minha carreira universitária seria meu pai. Não porque eu era apenas uma professora, mas sim porque era professora emérita da Universidade Hebraica de Jerusalém’. Para ele, isso era muito importante. Pensei nisso, na hora, porque realmente foi para mim muito significativo.”

       A Profa. Anna Fuks recebeu vários prêmios internacionais em pesquisa, publicou mais de 130 artigos em revistas internacionais, escreveu 16 capítulos em livros de odontopediatria e publicou um livro sobre odontopediatria em inglês também traduzido para o chinês e turco.

       A sua atividade internacional fez com que ela fosse indicada para a presidência da Associação Internacional de Odontopediatria. Houve quem discordasse sob a alegação de que havia muitos judeus no conselho da Associação e que uma representante de Israel não seria visto com bons olhos politicamente. Foi então que uma colega grega afirmou que não haveria problema: “Com a Anna tudo bem, ela é internacional".

A International Association of Paediatric Dentistry (IAPD) a elegeu então Presidente da Associação.

[caption id="attachment_11632" align="aligncenter" width="274"]A jovem Anna Fuks com sua irmã mais nova, Clara, e os pais, Isaac e Esther, Em Curitiba dos anos 1940. O irmão mais novo, Moisés, ainda não havia nascido (Crédito: Álbum de família) A jovem Anna Fuks com sua irmã mais nova, Clara, e os pais, Isaac e Esther, em Curitiba dos anos 1940. O irmão mais novo, Moisés, ainda não havia nascido (Crédito: Álbum de família)[/caption]

 

       “Mesmo aposentada, eu ainda vou toda terça-feira à Faculdade, a não ser quando impedida pelo coronavírus. Também dou seminários duas vezes por semana, sou revisora de artigos para algumas revistas internacionais de odontologia e, por vezes dou conferências e ministro cursos em países que me tem convidado para tais fins.

       Depois de mais de quatro décadas em Israel, a Profa. Anna Fuks acredita que seu pai e os ativistas do Dror em Curitiba estavam certos quanto à importância do sionismo. Não se arrepende das escolhas de uma vida e uma carreira que tantos sucessos lhe proporcionaram.

Ativo em:
Curitiba
Ano de aliá
1973
País de Residencia
Israel
Cargos de Âmbito Nacional
Professora Emerita, Universidade Hebraica de Jerusalem
Presidente do IAPD -International Association of Pediatric Dentistry
Títulos e Distinções
2013 AAPD Distinguished Service Award
Publicações e Obras
https://www.congreso.aede.info/project/dra-ana-fuks/
https://www.springer.com/gp/book/9783319275512
https://doi.org/10.1111/etp.12009_10
Referências na Internet
http://iapd2019.org/speaker/dr-anna-fuks-israel
https://en.dental.huji.ac.il/people/anna-fuks
http://www.hadassah-med.com/doctors/dr-fuks-anna
Video em YouTube
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Brasileiros Oriundos de Movimentos Juvenis que depois da Aliá contribuiram à Sociedade Israelense em seu campo de atividade
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