FATOS E NOMES

Com a queda da ditadura no Brasil, em 1945, eu junto com o Alberto (Abrão) Dines, Albert (Abrão) Shatovsky e Simão Barac participamos do “Jornal de Juventude” o qual distribuíamos gratis nas ruas do Rio de Janeiro. Certa vez apareceu no titular da página principal do jornal fascista ”Brasil-Portugal” a notícia :”Judeus  e comunistas dirigem o Jornal da Juventude”, com todos os nossos e outros nomes com som judeu… Tivemos receios de que isso nos atrapalharia quando quizéssemos fazer aliá e como o Simão ia viajar para o Peru, o acompanhamos ao famigerado DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social); quando ele  finalmente recebeu a permissão de saida do país, respiramos fundo, pois uma pedra acabava de cair do coração…

Em 1945 foi fundada a Organização Sionista Unificada do Brasil e tambem a sua juventude.

Um dos seus carismáticos dirigentes,  Moshe Glat, resolveu um dia transformar toda essa juventude, já organizada em kvutzot, no movimento Hashomer Hatzair. Somente 2 deles resolveram não fazer esse passo; o Dines e eu, o Abram Baumwol (Mosca).

 

A minha família era muito Sionista e os meus irmãos – o José e o Froim – vieram para Eretz para lutar na Guerra da Independência. Logo depois , a minha irmã mais velha, Bela, dirigente das Pioneiras, junto com o seu marido Ghers Roizenblit e as 2 filhas, Rosete e Sara, fizeram aliá.

Os meus pais comecaram a preparar os baús para tambem fazerem aliá, o que fez com que eu resolvesse entrar logo na Hachshará, antes mesmo do meu garin, o 2o.garin. Por problemas encontrados na absorção em Israel, a minha irmã com a família resolveu voltar para o Brasil,  o que acarretou tambem a volta dos meus irmãos e a que os meus pais desitissem da viagem. Eu me encontrei com um problema: naquela época a maioridade era de 21 anos, o que significava que deveria ter a autorização do pai para a saida do Brasil. Como polonês de nascimento, fui à Embaixada da Polônia no Brasil pedir o passaporte tendo comigo uma “autorização” por mim assinada em nome do meu pai; quando me perguntaram se tinha a autorização, respondi afirmamente e como não pediram que a mostrasse tenho a minha conciência limpa…

Mas, como não podia contar aos meus pais que vou fazer aliá, não viajei com o meu garin, mas só com um chaver – o Pinchas Biskier;  partimos de Santos, sendo que ao atracar no Rio, não sai do navio, deixando na Hachshará cartas para a família que eram enviadas semanalmente aos meus pais, como se eu ainda estivesse na Hachshará, e só quando cheguei a Israel é que lhes avisei.

Do navio fomos diretos para o kibutz Mefalsim, onde já estavam o 1o. e o 2. garin do Movimento, entrando na barraca de 8 pessoas, e ficando satisfeito quando me deram 2 caixotes de armazenamento de laranjas para usar e guardar algumas roupas…

FIcamos em Mefalsim só ate junho de 1951, ano que chegamos ao país, e decidimos abandonar para fazer Hachshará em meshek vatik, de acordo com a decisão do Movimento brasileiro. No fim deste ano fomos moblizados para servir na Nachal, com Hachshará no kibutz Afikim, e ao final fazer a complementação do kibutz Bror Chail.

Em 1955 fomos enviados pelo kibutz para o Brasil, e consegui organizar uma chevrat noar para o meshek, composta por 16 jovens. Em 1958 o kibutz nos enviou de novo para o Brasil como sheliach para o Movimento.

Em 1964, estando já afastado do kibutz, fui mobilizado pelo Elchanan Harlev, chaver do kibutz Bachan, que trabalhava no Departamento de Colaboração do Ministerio da Defesa para dirigir cursos para Oficiais da América Latina sobre o nosso modelo de Gadná e tambem um curso para dirigentes juvenis sobre este modelo. No curso de dirigentes juvenis participaram,de parte de Costa Rica 6 jovens, que ao voltar para o seu pais influenciaram ao Ministro de Relações Exteriores, Daniel Oduber (que posteriormente se tornou Presidente da República) para que pedissem assesoria a Israel para juntos formarem, o que se chamou o Movimento Nacional de Juventudes, no qual eu, o Mordechai Chaitchik e o Aharon Barnea organizamos junto com eles a juventude nos mesmos padrões dos movimentos juvenis israelenses. Desses jovens, com o correr dos anos, um chegou a ser Vice-Presidente da República, um Ministro da Fazenda, um Vice-Ministro de Cultura e Juventude , um Vice-Ministro do Exterior, um Controlador da Republica e só um que não foi destacado .

Na minha vida pública tive a felicidade de conhecer e trabalhar a par do Shimon Peres, tanto no Partido Socialista, como na época em que foi Presidente de Israel, acompanhando várias vezes nas visitas oficiais a América Latina ou na Internacional Socialista. Organizei vários seminários para os Partidos Socialistas sobre a nossa experiência Sionista-Socialista.

Durante uma época dirigi, junto com a minha esposa Shoshana, o programa radiofònico da Kol Tzion Lagola, num dos quais vi e transmiti o processo do Eichman.

Durante alguns anos dirigi o Departamento Latino-Americano da Histadrut, organizando cursos especiais para América Latina, Portugal e Espanha sobre cooperativismo, organização sindical, etc..

Abraham Hatzamri (Mosca)

 

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