Acesso ao arquivo digitalizado do Dror Habonim

Chaverim,
Conseguimos concluir nosso projeto de digitalização da documentação do Dror/Ichud Habonim que está armazenado do Centro de Memória do Museu Judaico.
Nesta fase foram digitalizados 27 mil páginas de documentos, tais como : tochniot hadracha, itonim, atas de reuniões, e muito mais. Contratamos jovens do movimento para realizar este trabalho, cuja remuneração está sendo usada pelo grupo do Shnat Hachshara 2020.
Os documentos digitalizados já estão disponíveis para consulta e busca através do Google Drive. Pretendemos facilitar no futuro o acesso aos documentos disponíveis, mas, já poderão encontrar referências ao trabalho de vocês e de outros chaverim neste acervo.

Segue abaixo um roteiro de como acessar estes documentos:
1 – Abrir uma conta no Google Drive , entrar no sistema utilizando-se sua conta e senha.
2 – Acessar o endereço https://drive.google.com/drive/folders/1DP5bTYUWxUrmwGYH7kPiAk0d0UkvBxaD?usp=sharing
Clicar sobre o icone “tres pontinhos verticais” e escolha a opção “Add to My Drive”.
3- Na parte superior da tela, existe um campo de busca indicado por uma lupa. Voce pode digitar uma ou mais palavras chaves . Após clicar no Enter, uma pagina de resultados será aberta. Sugerimos que comecem digitando seu nome/apelido .
4- Clique em um dos resultados, e dependendo da configuração de seu computador, um programa similar ao Acrobat Reader apresentará este PDF na sua tela.
5- Se clicarem no lado direito superior da tela, no simbolo com 3 pontos na vertical, e depois em “Find” poderão fazer busca dentro deste documento.
Aproveitem, eu me diverti muito !!

solicitacao de ajuda a projeto de antologia de cartas pessoais

Tzur Hadassa, 30.1.2019

Caros chaverim,

Escrevo-lhes para solicitar ajuda para um novo projeto editorial que pretendo desenvolver dentro do processo de divulgação da história e cultura sionista-socialista DROR. Esse processo começou em 1956 com o livro Bror Chail – História do Movimento e do Kibutz brasileiros de Sigue Friesel. À continuação, no ano 2000, Carla Passanezi Pinsky publicou sua tese de doutorado intitulada Pássaros da Liberdade – jovens, judeus e revolucionários. Em 2010, publicamos os Fragmentos de Memórias com boa repercussão tornando-se uma referência bibliográfica. Neste contexto, algo diferente está prestes a ser publicado este ano. Se trata da coleção de caricaturas da autoria de Vittorio Corinaldi cuja linguagem gráfica reflete o modus operandi da ideologia tnuatí em Bror Chail do final dos anos sessenta. Isto sem contar a grande quantidade de livros autobiográficos\memoirs e artigos publicados (alguns inéditos) que podem ser lidos no site DROR – Ontem e Hoje (vejam item literatura).   

Depois desta breve introdução vou ao que me interessa. Pretendo publicar num futuro próximo uma antologia de cartas, postais e materiais afins que possibilitem individualizar e personificar a experiência tnuatí. Este material, por sua particularidade, possui dimensões inexistentes na correspondência oficial ou nas atas de kinussim por exemplo. Daí sua importância e singularidade.

Gostaria, e seria muito útil e oportuno, poder receber correspondência da época da tnuá de voces (troca de cartas com amigos, pais, namorados, cartões postais, trechos de diários e até bilhetes). Não necessáriamente originais, podem ser escaneados com boa qualidade (mínimo 300 dpi). Esta documentação será por mim analisada, selecionada e após a publicação do livro depositada no arquivo da tnuá conforme costumamos fazer com material pertinente a tnuá.

Espero contar com vossa compreensão e colaboração, todá rabá desde já.

Avraham (Tito) Milgram

Solicito enviar as colaborações para um dos seguintes endereços:

  1. R. Shalmon 18\3 – Tzur Hadassa 9987500 – ISRAEL

אברהם (טיטו) מילגרם

רחוב שלמון 3\18 – צור הדסה, 99875

  1. email:

Avraham.milgram51@gmail.com   

Elementor #10131

Adicione o texto do seu título aqui

No centro, Amir Plut, 93 anos, um dos fundadores de ambos lados, Leo, Luiz, Alicia, Sibele shnat 2018

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Este é o cabeçalho

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Antes que o snif caia sobre as nossas cabeças

Dedicado a Rubem Jablonka , Gladis Berezowsky e Judith Scliar (minha eterna madrichá)

Na minha época, abandonava-se a tnuá quando não se fazia Aliá. Pensava na época: “jovem para o mundo e velho para a tnuá”. Passei pela Felipe 487 louco para entrar mas, era a vez de outras shichavot. “DOR OLHECH VE DOR BA”. Meu filho, Marco, fez Machon como eu, mas pela Chazit. Até hoje é convidado ou participa de eventos da Chazit. Nosso movimento é ou era mais ideológico, diferente. Cada shichvá teve seus nomes e sua história . Ninguém tem direito de se “adonar”, foram experiências únicas. Lembro de nomes como: o sheliach Ariê  Golwasser, Taís Guershman (até hoje no kibutz), Abrão Slavutzky (ainda engajado nas ideias da tnuá). O sheliach Buka e Avram Goldstajan, Abrão Turkenitz (o “Turka”, meu madrich), o Ua, e toda a família Oliven (Judith, hoje Scliar, minha querida madricha, Rubem, e o saudoso Daniel), Miguel, depois shomer. Tive também como madrich o Abrão Luiz Jablonka (irmão do Rubem) que quando saiu da tnuá (por causa do seminário da Lapa) foi em minha casa explicar, foi honesto, verdadeiro, chorei. Aliás, na época os madrichim visitavam os chanichim. O grande nome que não podemos esquecer da época foi o Rubem Girdael JABLONKA, que me levou para a tnuá e é o grande nome, se é para citar nomes.

O Suli Kuperstein, a Rosane Turkenitz, Sulinho (em Israel), Gilberto Hausman (o Gil foi “baita” chaver tnuá). O Solon Pridkladnizki, o Paulo Burd (que criou na época o iton e brigava com o velho mimeógrafo a tinta), o José Sergio Wolf (grande amigo).

A propriedade de snif Porto Alegre pertence ou pertencia ao Uruguai. Era um sobrado velho com dois andares mas não de madeira, como dizem. A tnuá em Porto Alegre surgiu na inspiração da tnuá no Uruguai talvez isso explique a propriedade na Felipe. Foi a pioneira no Brasil.

Quando entrei era Ichud Habonim, mas tinha sido Dror, Dror Gordônia e Ichud Hanoar ha Chalutzi. Mas o nome Dror era forte, como é até hoje. Minha mãe já dizia: “já vai te enfiar no Dror com suas calças brim coringa?”

Lembro do sheliach Shmuel Kaplan, um argentino de Bror Chail, um grande cara. Nós bogrim convivíamos muito com os shlichim, frequentávamos suas casas. Na verdade eles eram jovens como nós.

O Jablonka era um político nato. Tinha passagem em todas as organizações judaicas e chegou inclusive a participar do Congresso Sionista Mundial pelo Rio Grande do Sul antes de fazer Aliá.

O prédio do snif por volta dos anos 60-70 estava em estado calamitoso, quase caindo nas nossas cabeças, como diziam. Formou-se então uma Vaad Hanoar com o objetivo de construir uma nova sede. Mudamos para a Francisco Ferrer na sede da Unificada. Foi complicado e difícil conviver com a diretoria da OSU mas sobrevivemos. Lembro claramente que nessa época ou pouco depois o Luis David Leventhal entra como funcionário da unificada.

Aliás o Luiz David e a Liane foram importantes, foram à minha casa depois de casados para uma bela conversa. “Kol Hakavod”, Luiz David. Quem saía da tnuá e não fazia Aliá era execrado ou era nós mesmos nos culpávamos por isso?

A Vaad Hanoar se reunia e assim nossos pais e outros militantes arrecadavam o kessef.  Participavam meus pais Benjamim e Berta Meimes. Na época era muito difícil apoiar um movimento que iria separá-lo do filho e mandá-lo para um kibutz longínquo.  Mas, afinal o snif poderia cair nas nossas cabeças. Meu pai era o guisbar, contator por formação se orgulhava de sua letra gótica nas atas e livros caixa. Lembro da minha mãe, excelente vendedora saindo da sua loja “A Nomalista”, na Barros Cassal, para trabalhar numa quermesse no Centro Israelita vendendo com garra para conseguir o dinheiro para a nova sede.

Milha família era de classe média, como comerciantes, dinheiro não era problema. Vivíamos muito bem. A tnuá pregava a união do proletariado para a revolução socialista. Isso era utopia para mim, classe média, e os pais querendo um filho doutor. Quando fiz vestibular pensei em agronomia, quem sabe num longínquo Kibutz no Pampa Gaúcho. A ideia na época era de que deveríamos criar uma base de agricultores em Israel e deveríamos buscar cursos profissionalizantes.

Participaram na Vaad Hanoar o casal Procianoy (pais do Jairo da Tali e do Marcelo). O Dr. Procianboy, médico do Pronto Socorro, com seu cachimbo e sua sisudez. Sei que tem residência dupla ente “eretz” e POA. O casal Tukenitz (pais da Rosane do Rubem e do Neco), o Efraim da Farmácia muito ajudou, gosto dele. Os Niremberg, que fizeram Aliá na época.

Lembro de um grande nome da Vaad Hanoar , Dr. Samuel Spritzer, um sionista trabalhista. Esse sim um grande batalhador.

Ficávamos comovidos ao vermos nossos pais com aquela “gana tnuatí”, buscando uma sede para abrigar os ideais e as cabeças de seus filhos.

Em 1969 o Buka, sheliach na época, convidou-me para ir ao Machon Le Madrichei Chutz Laaretz. Ser escolhido para o Machon na época era Kavod. Fui só, minha Kvutza fez shnat em 1971. Quando voltei, o snif estava tava pronto, bonito.  E eu, por razoes familiares e pessoais não era mais da tnuá. Tentei, mas DOR OLECHE VE DOR BA uma nova geração aparecia. Na época ficávamos velhos aos 25 anos. Na minha cabeça nunca saí da tnuá, só não frequentava o snif.

Notem que escrevo no coletivo, “nós”, “fizemos”… isso é tnuatí.

O caminho era a universidade, a “vida real”.

Participou do movimento o Celso Loureiro Chaves, que era bem tnuatí, mas o impediram de ir ao shnat. A Guita Fainglus, a Rosane Carvalho, a Beti Stifelman (nossa musa), a Marion (muito querida), os Melon.

Ninguém tem direito de se “adonar “. Na tnuá existem princípios: o sionismo, o socialismo  (ou trabalhismo) ,o kibutz e o judaísmo.  Não entendo esse conflito de vaidades. Quem é o dono disso ou daquilo. Assim como não conheço nada da Casa Borochov.  Sei que o Snif  se chama Ber Borochov na Felipe Camarão 487.

O Maurinho (lembro do Nei todos os anos querendo entrar na tnuá mas não tinha idade) sempre foi ótimo, batalhou pela tnuá e respeitava os bogrim vatikim . O Luiz David é outro valoroso até porque teve um opala diplomata quatro portas como eu.

Nossa aliança política era com as PIONEIRAS (ligadas ao Mapai como nós), elas ajudaram muito inclusive tinham uma sala no snif ao lado da maskirut , parece que na época pagavam o IPTU ou algo mais, aquela sala era um mistério. Como tinha sido um acordo da VH e dos shlichim , não contestávamos.

A Hashomer Hatzair ficava numa casa alugada na Felipe Camarão perto da Bento Figueredo, em frente ao Armazém Internacional, hoje Kronks. Eram nosso “rivais”. Eles eram de extrema esquerda, dizíamos fanáticos, militarizados, dogmáticos, mas era bom quando as suas bachurot nos visitavam .

O homem forte da Shomer era o Jaques Wainberg, belas discussões ideológicas e comportamentais tivemos. Usar gravata era símbolo burguês, dançar sem ser “hoira” era coisa de burguês.  Em alguns momentos era até bom ser burguês pois o Ichud Habonim baseava-se na liberdade e podíamos ir também nas reuniões dançantes da época.Ser burguês não era tão ruim afinal. O Talema, grande figura da Shomer.

O Tilboshet, a venda do vinho de Pessach, tudo nos motivava. No Iom Kipur, algumas pessoas esvaziavam os bolsos na véspera e lá estávamos nós angariando kessef para o snif ou para custear chaverim que não podiam pagar a machané.

Ter a chave do snif era uma grande kavod. As vezes passo pelo snif e olho, se tem alguém é porque tem a chave.

‎Morava, como hoje, na Barros Cassal, mas vivia na Felipe Camarão 487.

Outra coisa. A quadra do Snif novo era para ser coberta. Os vizinhos não consentiram por alguma razão. Deve ter até hoje os ferros da cobertura doada por um tio meu.

Alfredo Silberman sempre participava e vibrava.

Houve um racha da minha Kvutza com a Vaad hanoar. Não sei bem o porquê resolvemos viajar para Minas Gerais. O argumento era de que fizemos um trabalho bom no ano e merecíamos a viagem. Nada tnuatí , não é? Mas fomos. Lembro que no dia que o homem chegou à Lua estávamos num ônibus cruzando Minas Gerais. Acho até que era um pouco de inveja mútua entre a Vaad e nós. O fato é que a tnuá e os debates eram prazerosos para nós e nossos pais. Mas éramos jovens na época.

Era difícil ter vida privada estando na Tnua, mas sei que cada um de nós guardava um tempo ou um espaço para si.

Na época nos ridicularizavam (hoje “bullying”), nos chamavam de fanáticos. Mas não se dava muita bola. Tinham as machanot centrais (conheci bem o Brasil pela Tnuá), os tiulim , as haflagot  (que não eram em barco). Era muito bom ser madrich nas machanot locais, pois depois de um dia de trabalho o lazer era ótimo entre os madrichim. Outra coisa boa era buscar locais de machané. Fiz  belas viagens. Interessante que quando se falava em tnua se dizia trabalho: eu trabalho para (ou na) tnuá. Se dizia trabalho, não participação.

O local mais certo era a Associação Cristã de Moços, em Canela, rústico, mas muito bom. Depois descobrimos um retiro de evangélicos em Santa Catarina muito bom. Belos camarões comemos na tenda da Lurdinha na praia.

Era nosso ofício buscar as chaverot em casa para o shabat, na sexta. Algumas eram longe, outras tínhamos que trazer ela e a gaita (acordeom). Íamos de Bonde. As vezes fazíamos um sorteio de quem ia buscar a gaita.

Namoro era pouco comum entre nós talvez por causa da conivência fraternal. Relevávamos para mas machanot centrais. Fui num Seminário Lepeilim da América Latina na Argentina. Aos meus 16 -17 anos, foi uma aventura e tanto.

Hoje que sou pai e avô penso que a responsabilidade que nos concediam com os chanichim era demasiada. Claro que corríamos riscos. Descer o Itaimbezinho com chuva, viagens, tiulim.

Mas se o sheliach e o Jablonka fossem, os pais concediam.

Uma vez expulsamos uns cinco chaverim da machané na ACM, acho que foi por roubo de comida ou algo assim. Hoje penso na coragem que tivemos, pelo menos eu acompanhei os chaverim até Porto Alegre.

Histórias e estórias não faltam, quem sabe me inspiro em “Mil Histórias Sem Fim”, de Malba Tahan, e continuo contando-as sem fim.

O Dror atual deve ter dilemas, li que o Cheder Haochel de Bror Chail foi privatizado. A comunidade judaica se aburguesou, tem Seder de Pessach no Plaza e festas nababescas com escola de samba e times de futebol nos Bar e Bat mitzvas(ot) Com a queda do muro de Berlim, o fim da União Soviética, o socialismo, enfim…

Como levar uma tnuá sem as suas bases ideológicas? Fica a pergunta.

Mas pelo menos o snif não caiu sobre as nossas cabeças.

Fontes:

-Usei livremente o humor co tom crítico e debochado de “que o céu caia sobre minha cabeça” de Albert Uderzo e René Goscinny em Asterix.

– Pássaros da Liberdade: jovens, judeus e revolucionário do Brasil de CARLA BASSANEZI PINSKY .Contexto

-Fragmentos de memória Avraham Milgram (org) Editora: IMAGO

-Mil Histórias Sem Fim, de Malba Tahan,  Editor – Getulio M. Costa

JOVENS – 70 ANOS DEPOIS 

     Israel comemora 70 anos de sua fundação. A ocasião desperta inúmeras justificadas manifestações de orgulho e regozijo, ao lado de gestos de exagerado teor “patriótico” e nacionalista,

     A orientação de direita que há anos dirige os destinos do país faz com que se ponha mais enfase nas conquistas econômicas e científicas, no poderío militar considerável numa concepção populista e vulgarizante da cultura, com inclinações preferenciais das comunidades oriundas do oriente. E uma parte deste quadro denota uma tendência de re-interpretação histórica, na qual se procura sufocar a essencial contribuição do movimento obreiro e da corrente Sionista-Socialista no estabelecimento do Estado.

     Falar dessa corrente é falar da Histadrut, a poderosa central dos trabalhadores, e de sua vital importância na formação de uma economía sólida ainda antes da proclamação da independência. É falar dos kibutzim e de seu exemplar contingente de ação voluntária sobre o qual se apoiou o esforço de construção das primeiras bases do Estado.

     E é falar dos movimentos juvenís sionistas-socialistas, que foram a fonte quantitativa e qualitativa da reserva humana daqueles tempos de penúria e de luta; da Haganá e da Palmach, que lançaram o alicerce do Exército de Defesa de Israel; de veneráveis figuras como A. D. Gordon ou Berl Katzenelson, inspiradores de uma moral de comportamento social anti-retórico e baseado na ação e no exemplo pessoal; ou de Ben Gurion, o incansável líder da ressurreição  e o grande promotor da unidade nacional, pela qual não hesitou em dissolver mesmo setores de sua própria formação partidária. E é falar do estabelecimento de Ishuvim que marcaram as fronteiras do país frente às muitas propostas internacionais de partilha da Palestina e à agressão dos exércitos árabes.

     Neste capítulo, destaca-se o papel dos movimentos juvenís sul-americanos, e dentre eles os brasileiros. Entre outras muito válidas e importantes, sua função foi e continúa sendo imprescindível na criação de uma barreira perante o território de Gaza, do qual exatamente nestes dias está mais uma vez se lançando uma onda de provocação e destruição, impelindo uma população em estado de desespero mas incitada por uma liderança fanática, a atos de protesto e de terror dirigidos contra Israel.

     Os noticiários se concentram muito mais nos aspectos da tática militar diante da atual situação, do que na valente não rumorosa resistência da população civil – em sua grande parte dos kibutzim. E a atitude do govêrno tem sido de uma atenção mínima para as necessidades dessa população,  que evidentemente não compartilha das aspirações eleitorais de seus ministros e deputados, nem subscreve cegamente o entusiasmo com que políticos israelenses observam os passos imprevisíveis do Presidente americano Trump.

     Neste ponto, forçoso é também dedicar algum comentário quanto à repercussão dos acontecimentos sobre o judaismo mundial. O govêrno de Netaniahu procura inculcar o conceito de que o Judaismo da Diáspora deve aceitar silenciosa e automaticamente sua política (que no caso do maior setor do judaismo americano é francamente discriminada).

     E no caso do Judaismo brasileiro, quem como nós observa seu comportamento frente aos problemas desta região, mas também da cena política brasileira – não pode deixar de sentir essa tendência, que, ao par do receio de provocar abalos na delicada estrutura da prosperidade econômica da comunidade, envía injustificados ataques a opiniões de “esquerda”, que na visão do establishment comunitario é sinônimo de anti-sionismo e de identificação com correntes hostís.

     Vítimas desta injusta e irresponsável visão são – mais do que quaisquer outros – os movimentos juvenís. Oxalá fossem eles realmente um fator de maior peso no panorama geral da comunidade. Oxalá as posições de solidariedede humanitária expressas por jovens sinceramente empenhados, quanto a acontecimentos polêmicos dentro da sociedade brasileira, tivessem uma repercussão que pudesse gerar uma maior compreensão da problematica de Israel e do povo judeu, junto a largas camadas do público brasileiro. Oxalá seus pronunciamentos pudessem alterar o foco do efêmero prazer proporcionado pela frequência a luxuosos e caros clubes esportivos e recreativos, em direção a um frutífero intercâmbio de idéias e opiniões, cuja síntese só pode ser benéfica para a sobrevivência de nossa cultura: uma sobrevivência que muito se apoia no fazer educativo voluntário, sincero, autêntico e convincente dos jovens provenientes dos movimentos juvenís.

     Atentos como somos a tudo o que se refere ao judaismo brasileiro do qual nascemos; e aos autênticos interêsses da existência judaica na Diáspora e em Israel – esperamos poder encontrar na imprensa judaica brasileira; na constituição humana das camadas dirigentes e educativas da comunidade; no apoio solidario à atividade dos movimentos – a esperada mudança de rumo que seja um anúncio de abertura democrática da opinião pública judaica. E o retorno a uma orgânica ligação do ishuv brasileiro com sua  Aliá em Israel e seus pioneiros representantes desde os primórdios: uma Aliá que embora reduzida numericamente, já pode se gabar de passos e pessoas significativos no panorama social israelense.

 

                                                                     Vittorio Corinaldi, Tel Aviv, Junho de 2018

Habonim na decada de 70 (em hebraico, Por Kurt Kaufman)

אכן סיפור של תקופה מאוד חשובה ותוססת של תנועת הבונים דרור בברזיל לא מסופר ולא מופיע בשום מקום או מסמך .

באמצע שנות ה-70 , יותר נכון, בשנת 1976 מגיעה לארץ לתוכנית “שנת הכשרה” ומכון למדריכי חוץ לארץ, הקבוצה הראשונה לאחר הפסקה ארוכה שלא נשלחו חברי התנועה למכון למדריכים . הקבוצה הייתה מורכבת ממיטב המנהיגים של התנועה בברזיל בפריסה די רחבה של סניפי התנועה מצפון עד דרום ברזיל . אלה שנים של תסיסה פוליטית בברזיל , מאבק לקראת סיום המשטר הצבאי וכו. מטבע הדברים ,חברי הקבוצה מגיעים עם מטען אידאולוגי חי ותוסס ועם הרבה מרץ לשנות דברים .

חזרתו ארצה של מחזור שנת 76 מהווה קו הפרדה ושינוי גדול מאוד בפעילות בתנועה . בשנתיים הבאות ,חבר אחד כבר עולה לארץ להגשמה בקיבוץ ברור חייל , ושלושה חברי מחזור אחרים עוזבים את לימודיהם , את בתיהם ומתקצבים בהנהגת התנועה בסאן פאולו , בדיור משותף “בית בוגרים” ומקדישים את חייהם להנהיג את התנועה בהיבט הארגוני, החינוכי ויעדים ברורים של עלייה לארץ .

כאן מתחילה אווירה בתנועה בברזיל שמזכירה את שנות ה-50 ו- 60 לקראת פעילות החלוצית שבסופו של דבר הביאה לגרעיני העלייה והגשמה בקיבוץ ברור חייל .

כנסים וועידות התכנסו לוויכוחים אידאולוגיים ומהותיים על תפקיד התנועה בחברה הסובבת והמציאות בברזיל , ציונות , ולאן להמשיך מכאן ?

זכורה לי באופן אישי ועידה אי שם בשנת 78 במתחם “ההכשרה” שממש הרגשנו שאנו דנים “בעתיד הציונות הסוציאליסטית …..” מצגות , נאומים, בורוכוב ,גורדון ,כצנלסון , מי לא ? .

אלה ימי הנוכחות המדהימה של שליח מישראל מיוחד בשם PINDUCA חבר קיבוץ ברור חייל שידע בצורה יוצאת דופן למלא את הנפש שלנו כצעירים מלאי מרץ ונחישות . PINDUCA לא חסך שום מאמץ כדי להניח פלטפורמה אידאולוגית לשינוי והתחדשות. הגיש לנו רשימת ספרים לקריאה, הדגשים בנושאי חינוך, ובעיקר ובעיקר שאל שאילות מציקות ונוקבות . לא נתן לנו מנוחה …. הוא ידע מה הוא עושה והוא ידע שי לו “חומר טוב” בידיים ונקודת זמן מתאימה .

קיבוץ ברור חייל שהיה ללא ספק פאר ההגשמה של התנועה מברזיל כבר לא היווה אתגר ומקור למשיכה שיכול להתאים לאווירה של חיפוש אידאולוגי ולהט צעיר וציוני .

בשנים 78 ו 79 ,למרות שכבר היינו בשלים ומוכנים לעלות לארץ , הקדשנו את כל זמנינו במטרה למצוא משק יד חדש בארץ שידליק שוב את הלפיד ולהעמידו כאתגר שימשוך עוד צעירים לפעילות בתנועה ובהמשך עלייה לארץ . הצלחנו ליצור אווירה של שינוי בכל הרמות ותחומים של תנועת הבונים דרור בברזיל . בלטנו בשטח במובן הזה לעומת התנועות האחרות . כל זאת בתקופה של דעיכה מתמדת של חשיבותן של תנועות הנוער החלוציות בגלות .

מכאן , במשך כמה שנים טובות עד אמצע שנות ה-80 , הוגדר קיבוץ גזר שבשפלה , כיעד לעלייה והגשמה . קיבוץ גזר היה קיבוץ צעיר ומהפכני , גלגול שלישי של ישוב וותיק והפעם הוקם ע”י גרעני תנועת הבונים מארה”ב . במשך כמה שנים ,הגיעו לגזר כמה מחזורים של שנת הכשרה ועלייה . ראינו חבר’ה צעירים שוב עובדים בלול, ברפת ובשדות ובתי ילדים ובמטבח . ראינו שוב ניסיון להציב אתגר חדש .

אין לי כוונה להיכנס לניתוח או לדיון המעמיק והמעניין בנוגע לסיבת ההפסקה או אי הצלחה של קיבוץ גזר כיעד לקליטת העלייה של חברי התנועה . זאת לא המטרה והזמן הנכון כאן .

אבל ללא כל ספק , כל המהלך תרם רבות לתחייתה מחדש של אווירה תוססת, חיובית ויפה מאוד בקרב חברי התנועה בכמעט עשור שנים בברזיל . אני מאוד גאה שהייתי גורם מוביל בכל התקופה הזאת .הייתה תקופה יפה שידעה להכין אותי לאתגרים רבים בחיים שלי . ובעיקר ,עד היום ,קושרת אותי לגורל מדינת ישראל לטוב ולרע.

קורט קאופמן

2018

Poema em homenagem aos 70 anos do Habonim Dror no Brasil

 

70 anos construindo a liberdade

No Brasil, em Israel, para toda a humanidade

A paz é o ideal, não estamos sonhando

Se não agora, então quando?

 

Do rio Amazonas ao Rio de Janeiro

Sonhamos com o rio Jordão

Mas comendo falafel e shwarma de carneiro

Ao falar do Brasil, nos aperta o coração

 

Brasileiro judeu ou judeu brasileiro?

Melhor machané: Julho ou Janeiro?

Desde pequeno aprendendo a pensar

Mas então, qual vaadá você vai pegar?

 

De Ibiúna e Jundiaí para Bror Chail e Hatzerim

E as comunas urbanas de Beer Sheva

Vivendo o coletivo, como aprendemos no Habonim

Trabalhando a sociedade, como quem da terra tira a relva

 

Kol haMifkad Iaavor leDom

Hatikva, Techezak Na, o mazkir dá o tom

O número de chaverim não importa pra nada

O importante é a gritaria que preenche a quadra

 

O que teve hoje no kolbo? Ou seria haspaká?

Deixa isso pra lá, já pagou a kupá?

Ih, tem peulá depois da peguishá

Mas que sono, tô mais pra lá do que pra cá

 

Fale com o papai, fale com a mamãe

Vem pra machané, chanich querido

Diversão e aprendizado não tem idade

A saída é às 8, mas já é sabido

Nosso forte não é pontualidade

 

Abra o bilhete, o que está escrito no dôar?

Doe, doe sem doer, pois doar não dói

Quem doa se entrega, se conecta, se realiza

E você, meu velho chaver de 70 anos atrás

O que você diria se pudesse me ver hoje?

Há uma linha direta nos ligando a você

Você plantou a muda, mas o solo mudou

Você fincou raízes, e nós moldamos o tronco

Nós espalhamos o perfume das flores

Por ares que você conheceu apenas em sonhos

E se você puder sentir a abençoada fragrância

Desejo que reconheças o cheiro da tua semente

E saiba que o teu movimento inspirou o meu

Mas como acontece no mar

O movimento é o mesmo, a onda não é

A onda segue o movimento daquela que a precedeu

Ora banhando a mesma costa, ora criando novas praias

E orgulha-te; como nos ensinaste no teu hino

Não decaiu nossa coragem, nosso espírito, nosso ânimo


Rafael Stern